30 de nov. de 2022
29 de nov. de 2022
28 de nov. de 2022
27 de nov. de 2022
Na orla do terreno, o arco-íris brilhante do óleo convencem-me que a morte não se veste de negro, mas, com um robe extravagante, é com estrondo e opulência que toca as vestes do mundo, teme que ninguém dê por ela. A exaltação deixa cores garridas por onde passa, o roxo aureolado de verde num rosto de tez clara, a argila prateada pelo fósforo dos fertilizantes, os berros acesos como holofotes, faces rubras de sangue, a dormência branca do álcool com os punhos cerrados. A fúria deixa sem terra o singular comércio dos discretos.
24 de nov. de 2022
Um animal adormecido, com o dorso rijo e crestado, a chuva dá-lhe um ar de porcelana, diria morto, não fosse o susto que apanhei quando o tomei por tal, a vila move-se de um modo tão gradual que nos esquecemos dela. Estamos no tempo dos vapores, as janelas embaciadas, as nuvens obstinadas, os regatos fluentes pelas valetas, o cigarro que se acende para não pensar nos pés molhados. A água desce, corre com uma dedicação exímia para o fundo, mas o vapor, numa loucura difícil de contornar, vai para onde lhe dá o vento. Tempos espirituais, se o sopro ainda tivesse o peso que tinha para os velhos teólogos, obcecados por o enquadrarem, ficaram com ele emoldurado. Por aqui entranha-se na pedra, deixa-a fumegante e porosa, estende-se na colina à sua frente, uma miragem da lagoa que desapareceu, talvez seja assim que enleia sonho com sonho, espalhando farrapos sobre os montes até que alguém se lembre do que cá não está.
22 de nov. de 2022
20 de nov. de 2022
16 de nov. de 2022
15 de nov. de 2022
14 de nov. de 2022
13 de nov. de 2022
5 de nov. de 2022
3 de nov. de 2022
1 de nov. de 2022