5 de nov. de 2022

 

A rua que atravesso faz de morta sob a borraça matinal, irá erguer-se timidamente, uma onda impaciente, no encalço de uma margem que tarda, que julga próxima. No empedrado do largo as sombras dos plátanos tecem uma renda alourada sobre a qual a fachada da Igreja aparece como a imagem de um santo num napperon de uma cómoda ao abandono. Sento-me num banco de pedra do telheiro, consigo notar o rumor que entra no castelo, os comerciantes que começam a abrir os negócios, a transformação da vila num estalar de dedos, uma mudança de sexo indesejada, do outro lado do alvoroço fica um desabrigo constrangedor, de crédito inviável, uma memória como um fio de água sob uma placa de gelo, sem rentabilidade ao dispor, as ruas sem lampejos são como as axilas de um amante para um enamorado.

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