Esborratado de carvão, o céu resguarda a vila com um cinzento mineral, a borraça ilumina a pedra, deixa-a viva e severa como um gume. Trago iodo no cabelo e o perfume dos cedros no corpo por ter tateado os mortos. Hoje, mais do que nunca, tenho de me juntar aos homens, ao borbulhar repetido dos murmúrios, fechar os olhos que abri de noite e encostar a cabeça ao ronronar das gentes do café. Passei demasiado tempo encostado aos gemidos da barriga e ao lascar da cabeça, podia ser muda a interioridade, tantos a procurar dar voz às entranhas e elas numa miríade de ruídos indiferentes à leitura, seja como for, as tripas que se fodam, se fizerem nascer um parágrafo que se sustente, que se torçam à vontade, ele que permaneça teso a marcar a presença de um desejo.
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