Dois livros pousados na mesa, a chávena abandonada debaixo da costela-de-adão, o sofá com uma flor branca de espuma que interrompe a desolação da napa. No aparador um par de fotografias e uma ténue camada de pó que o acolhe junto dos vivos. O sol entra pela marquise, divide os tacos de mel cintilante dos que desaparecem em tons outonais, as coisas erguem-se do sono para o lume, mas a cortina é compassiva e acalma-lhes o temperamento. A discreta felicidade espalha vestígios ao acaso, a janela aguarda que me incline e esqueça as coisas deste lado, mas a língua vai à minha frente e trafica os tempos sem cuidado.
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