Quando
olhei para trás um nevoeiro espesso cercava o dia acabado. Sei que
acordei cedo, porque nunca acordo tarde, devo ter dado uma volta de
manhã, o ar frio e a luz afiada deixam o bairro emproado, não havia
ninguém nas ruas, senão lembrava-me, é um prazer tropeçar nos outros,
lembro-me dos descampados debaixo da ponte porque estavam verdes, por o
verde ser debandada, pulsa como uma resposta, não apenas à chuva, mas à
maioria das questões celestes, em trânsito, é o que indica o verdor, não
há sossego para o vegetal. As ruas estavam desertas, andei com o
espanto despojado dos que vão à larga. Uma névoa levanta um muro em
redor do que me passava pela cabeça, se fosse uma sebe, como diz no
Avot, fareis uma sebe para o meu ensinamento. Uma sebe, porque um muro
depois de feito está arrumado, mas a sebe tem de ser aparada, cuidada,
senão engole aquilo que guarda. É um regalo saltar sebes, se não houver
cães do outro lado.
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