Passo do quarto para a sala por um pequeno corredor que parece existir para que o ar não corra de uma divisão para a outra. A sala é o mais protegido dos compartimentos, com uma marquise à esquerda e um corredor à direita, nenhuma das paredes toca o ar salubre do exterior. No quarto giram ventos pela parede e os sonhos são seixos ao sabor da corrente. Tenho de me erguer para que aconteça alguma coisa, sacudo os braços e dou um par de passos antes de me sentar à mesa da divisão interior, tateio a madeira, é estável e recatada, pronta a desaparecer sob a toalha ou o que for que lhe ponha em cima, se receber o que vier com o pudor com que ela desaparece debaixo da folha de papel e sacudir os fantasmas como migalhas para o chão, talvez não me fique por tomar uma decisão, talvez seja a decisão errada, os erros são inevitáveis, como a corrente de ar que bate com as portas do corredor.
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