O que sou para me propor ao que seja? Tenho a boca seca e um cinto a apertar-me o crânio, enquanto a água caí de um céu batido como claras em castelo, a luz peneirada e esponjosa deixa a sala lenta e caduca, calculo o que farei no ano sem saber o que se moveu para que chegasse. Estou colado ao tabuleiro, apenas as vozes passam como correntes de ar, ninguém se move, tal é o medo que a cabeça ateie como um fósforo. Aprendemos a falar para ficarmos hirtos como menires, todos se explicam, pirralhos que se desculpam para receber um doce, numa paralisia mortal. O que mudou debaixo do céu de prata? Nem um pião, nem uma saia rodada, no entanto, uma palavra podia tirar-me do sofá.
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