Era suposto terem definhado, se o inverno fosse rigoroso ficariam tesas no parapeito, mas maníacas como são, apesar de só as mais valentes cá andarem, continuam a atravessar fronteiras transparentes, enquanto se debatem com o ilícito. Não chateiam ninguém neste período, teimam em escapar à probabilidade, testemunhas de um espaço sem uso nem recurso. Vivem do que muda de posição, limpam-se de tudo o que é sem mancha para se besuntarem no que sobeja quando o espírito recua. Os seus caminhos desembocam sempre num crime qualquer, tocam no mais concreto dos fantasmas que nos ocupam. Como um familiar maldito, uma longa linha de desentendimentos nos mantém num ódio que se disputa em vizinhança. Presas numa cortina, quietas, acordam num tremor para a existência, e confirmam o que Cioran disse sobre nós, é por desejo de tormenta que perseguimos o que queremos.
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