24 de jan. de 2023

 

O empedrado da rua tem uma penugem verde que o sol distingue de manhã quando os raios rasam as pedras a contra pelo, mais forte que a vibração dos carros, sobe um apetite sem nome que revolve a terra com afã. Ando sobre um casaco do avesso num sonho por decifrar. A aparição esverdeada torna patente um amor da superfície por ela própria, uma vontade de estar onde a pele se encontra, mas ando sem saber de mim sobre a espuma da vegetação. No café, o braço de uma mulher sacode-me uma segunda vez, coberto de uma penugem loura, é um campo de fetos na clareira de um pinhal, os miúdos escondem como podem o assombro, entra-lhes nos poros como alecrim a arder numa fogueira, é uma vereda esguia sobre um terreno raso de tremoceiros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário