20 de jan. de 2023

 

Balanço-me para a frente e para trás até que os pés caiam no regato que aqui passa. Estou perdido se acreditar que não me mexo, o candeeiro deixa-me as mãos torradas, cor de palha, faz do balcão uma canoa atolada num lamaçal. Balanço-me até perceber a velocidade com que a luz coalhada da porta se mistura com o pequeno farol, nervoso como um potro. Os dedos sobre o caderno esperam o alvoroço da cintilação. Se não me mexer estou perdido, por vezes são os lábios, outras são os pés, nunca me movo por inteiro. Baal Shem Tov fala do balanço de quem reza como alguém que se debate dentro de água. Estou do lado de fora no que toca a rezar, balanço-me no mercado mal iluminado, a cabeça bamba como uma palmeira a cortejar um pensamento.

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