26 de jan. de 2023

 

Acordei com um espectro colado a mim, quieto como um membro dormente, houve tempos em que se assemelhava a um bicho astuto que me sondava como uma raposa, tocava-me quando dormia para descobrir se vivia e me caçar com deleite, agora, está ao meu lado como uma divisão fechada, não me abandona para nada, parece esperar que diga alguma coisa, um animal sem nome, dos que escaparam ao chamamento quando Adão lhes encostou a língua torrada que os atravessou como um raio. A que falo é uma agulha sem fio, custa-lhe segurar uma boca com um limão, talvez por isso, me esburaque o corpo já por si dividido. Estendo a minha rede a sul e o norte é o silvar do vento, se olho um ombro não vejo o outro, se falo do seixo do tornozelo calo-me sobre a cova do joelho, tudo o que me mostra inteiro é um mal-entendido.

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