Talvez seja da eletricidade, se deixar a mão a dois centímetros do braço consigo ver os pêlos a porem-se de pé. O vento sopra como se quisesse limpar as ruas de uma apatia constrangedora. Se for da eletricidade consigo perceber a vontade de dar cotoveladas aos que se atravessam no caminho, tenho Macbeth a sussurrar-me, mais vale enfurecer o coração do que adormecê-lo. A cabeça pulsa ao seu próprio ritmo quando a cefaleia se intromete, perde o rastro do animal que caça. Seja como for, o melhor é sair. O vento volta tudo do avesso, o paracetamol é meigo, com vagar o sangue fica menos arrepiado. A pedra lavada espelha o branco das paredes enquanto a água corre apressada por encontrar onde desapareça, talvez descubra o que perseguia, se me lembrar. As biqueiras cantam nas poças, o vento assobia nos telhados, o mau tempo tem o seu modo de me acompanhar. A memória canta mais do que mostra, é com uma melodia que aponta para qualquer lado. Mostrei o dedo ferido como se fosse um talismã, um cartão de membro, fecho o alçapão, serve-me de pouco contentar-me com cantigas de chuveiro. Não fosse a porosidade, este poço onde o zumbido dos motores ecoa e o céu se espelha. Se conseguir acompanhar a alegria rítmica da chuva estou safo.
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