24 de out. de 2022
22 de out. de 2022
20 de out. de 2022
1 de out. de 2022
Passei a noite a palmilhar a cidade, acordei a pensar que há tempos que não faço uma caminhada. Quando estou quieto desoriento-me, se me ponho a andar o pão fermenta a outra velocidade. Há quase um ano que comecei em simultâneo a escrever e a andar com maior regularidade, a cidade que pensava conhecer mostrou-se esguia e difícil de agarrar. Não é só o distante que se esconde quando me perco em rotinas apertadas, tudo parte em debandada. A vegetação da avenida insiste como um lapso em dizer o que não oiço, o chão é onde encontro o que se perde, é com o que se perde que desenho o caminho que vou tomar. O chilrear dos pássaros faz um tapete onde as raparigas se encostam quando passam, o eco dos tacões enleia-se no cheiro agudo do alecrim e o corpo, torto e desabituado do andar, tende a encontrar posição onde isto aconteça sem o incomodar.