A noite enlaçou-se na minha barba e não me deixou dormir, por descuido não travei os avanços do arbusto, ainda ontem era um musgo suave, agora é um monte de tojos secos e aguçados. Não penso com afinco no decorativo, confio que ela tenha alguma ordem e contenção, mas apesar da aparência não a trato por tu, sei que pertence a outro mundo, quase imortal, desmesurado, passa-me entre os dedos como um regato, dá-me vertigens não parar por nada nem por ninguém. Se lhe cabe alguma virtude é legar-me a tarefa do corte, de lhe impor um limite. De resto, só lhe faço caso se floresce ou se alguma saia se prende nas pontas. Como se eu não chegasse, tenho ainda de acalentar este lume. Não preguei olho por sua causa, a senhora da noite ficou com o manto preso no arame farpado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário