1 de jun. de 2022

 

Depois de ter feito batota no um-dó-li-tá para ver quem era mais pequeno, levei-a à escola atrapalhado pela vitória. Quando voltei, pensei no que atravessa a cabeça dos que dizem ser crianças "lá dentro". Parece-me difícil ultrapassar a muralha da adolescência num estalar de dedos, e a maioria das vezes, falo por experiência, cometemos o erro de construir uma figura a partir de uma sensação presente, como se nada se tivesse alterado na forma como vivemos. A figura do pequenote que dança e ri quando quer e lhe apetece, que se deleita e regala sem nos inquietar demasiado, é uma figura que tende a aparecer para suportar os apetites de um adulto que se quer desembaraçar de um problema, dá bastante jeito num mundo fosco. Mas o assombro de não reconhecer os limites, o temor e o inesperado que os assalta sem previsão, nem sequer vêm à superfície, esses e outros desequilíbrios ficam perdidos, subterrados num tempo onde a música passava pelo olho da agulha.

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