Se aprender a perder talvez possa cambalear com alguma dignidade. Trôpego, depois de uma noite de bruscas expirações, onde a garganta parecia querer libertar-se das suas funções, rejeitando a empatia natural com o ar circundante (esse amor silencioso, pernicioso, feito nas minhas costas, onde o espaço se combina com o meu corpo e me permite pensar noutra coisa), a confiança nesse acordo foi quebrada, depois de uma noite de discórdia que me deixou esburacado, predisposto à malícia que espera uma oportunidade para entrar. Sustento um corpo espatifado que me leva ao desespero. Dito isto, posso dar a entender que longe do olhar me deixo desmoronar livremente, por vezes é isso que parece acontecer, mas é apenas uma aparência, o meu desmoronar nunca me é familiar, a dor e o prazer baralham-se e confundem-me. Uma canelada pode acordar-me para a perna que pensava estar noutro lado, é uma medida ganha. Tanto tempo a procurar perder as medidas, a recusar a única que me conta os dias. O corpo ia desaparecendo, as mãos nas cabeleiras fartas, a cabeça em sonhos alinhavados numa camisola, agora, mais desarticulado, redesenho as fronteiras conforme ando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário