7 de abr. de 2022

 

Atravesso o centro da cidade, alegre como quem persegue um chapéu derrubado pelo vento. O sol abre-se em leque pela rua, apenas um tracejado de sombra no passeio por onde passo. À porta do café quatro homens riem com as mãos nos bolsos, desconfio que falam de negócios, são risos secos, desnivelados, parecem seguir o que ecoa mais alto, esse tem as mãos na barriga. Do outro lado uma mulher fuma encostada ao pilar da loja, assim que volto a cara para a frente o tempo corre. O parque floresce três ruas abaixo, o pólen espalha-se pela praça como fagulhas.


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