Certas manhãs parecem vir de encontro a mim, como se acordar fosse cair. Caminho entre montras e cartazes, e não há senão manchas que se abraçam mais ou menos violentamente e tudo segue o encalço de uma derrocada, mas uma derrocada tem, pelo menos, uma direcção, mesmo que caia para cima. Neste trânsito, onde a vida corre sem outro mistério que o seu próprio despenhar-se, agarro-me sempre a um fio qualquer, ainda que o novelo esteja perdido debaixo do sofá. Um dia ganho passa por algo tão simples como uma discrição vigorosa de uma criatura alheia e envergonhada. A senhora da papelaria está mais presente porque a circundo de uma narrativa, senão passa tão depressa como a brasa pelo corpo do cigarro, e afinal as imagens que nos ligam são fumosas e esvoaçantes.
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