Se a estrada sobe ou desce, depende de tantas variantes que me parece ter descido subidas intermináveis. Conheço-me mais dividido do que indiviso, sei que atravesso o parque e me vejo a atravessa-lo enquanto penso noutra coisa noutro lugar. Por isso os meus planos ficam por ir até à rua que fica ali à frente onde me consolo com todos os outros que passam sem saber aonde vão. As mãos que pouso nas horas mortas parecem animais cansados que gostavam de ser bravos, só as conheço dormentes, fiéis a um capataz que se perdeu, raramente distantes ou distraídas. Talvez não as canse como devia, poderiam apaixonar-se pelo trabalho e irem para a sombra sonhar com o ócio que se estende como uma névoa sob o calor. Decepadas, dentro dos bolsos, são de outro corpo, alheias aos queixumes, enrolam-se nos trocos e nos papéis, não sabem nada do bem e do mal, por isso são hábeis em qualquer ofício.

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