29 de mar. de 2022

Nalgumas manhãs mais foscas dou por mim a pensar nas cabeças dos que dormem sem hesitações. Saem de si como quem sai da cama e vão para rua, direitos como proas de navios. Vivem no topo dos montes, mesmo nas ruas mais estreitas. Os seus passos são notas precisas num caderno e os braços baloiçam alegres na aragem fria. A fragilidade dos dias é radiante, e na ilusão de um espelho baço, convidam-se para a festa onde acordaram.

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