Sonhei que passeava entre carvalhos e sobreiros com uma amiga de longa data. Nada de constrangedor nesta deambulação, para além do esforço imenso que tive para lhe tentar dizer o perfume de uma flor que não me lembrava o nome. Este esquecimento roubava-me quase tudo do pequeno botão. E o embaraço não me deixava sair desse espaço vazio que tentava preencher com outros frutos e aromas. Limão com canela... era mais doce, tinha qualquer coisa de hortelã e era aveludado como um pêssego. Estava destinado ao fracasso. Uma palavra mantinha o pequeno devaneio em suspenso ao seu redor. Era levado pelo erro numa errância que desconhecia o fim. Comecei a gaguejar por ter percebido que uma palavra em falta era uma pequena amputação do mundo.
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