12 de fev. de 2022

 Há um exercício de leitura que se assemelha à observação das nuvens. No café onde costumo ir há uma empregada que é domadora de leões, outra que se dedica à observação dos astros, e um homem já com bastante idade que é funambulista. Este, chega todos os dias à mesma hora e repete os mesmos gestos, coloca os livros no canto esquerdo da mesa e pousa as canetas paralelas aos livros. Pendura o casaco nas costas da cadeira perpendicular à sua e desce para pedir o café. Vai numa linha recta sem desviar o olhar para nenhum dos lados, sobre um fio que apenas ele vê. Uma vez tentei dizer-lhe bom dia, mas não respondeu. Essa hesitação teria feito com que se despenhasse no abismo.

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