11 de fev. de 2022

 

No topo do monte a erva tem menos de um palmo de altura e são poucos os dias em que o vento se acalma. Uns tufos de urzes mal semeados e um molho de caniços entre o turquesa e o verde água varejam a imaginação com fábulas do sul. Os caniços e os fetos têm na minha memória um lugar privilegiado. Se por algum motivo quisesse fazer um cenário para um sonho da minha infância bastaria uma dúzia de fetos e alguns caniços, e a água apareceria por si. Na minha escola primária havia um pinhal, costumávamos fazer um caminho que passava debaixo de uma figueira e terminava junto a um regato. Há alguns anos voltei a visitar a escola, levou-me meia dúzia de passos a fazer o pequeno caminho. Creio que não foi apenas por uma questão de escala que me pareceu menor, mas, porque antes atravessava mais mundo.
Um bando de pardais em volta de um monte de lenha, cintados pelo zumbido dos carros na autoestrada. Há sempre um equilíbrio por descobrir numa paisagem que se descreve. Dez páginas não são suficientes para descrever o monte da escola da Francisca, porém duas linhas deixam o lugar aberto e o vento que não o larga também entre elas pode soprar.
 
                                   Pode ser um grande plano

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