Despercebido, como o cêntimo que vai ficando no bolso das calças, o inaparente passa de mão em mão. O nevoeiro é o nosso domínio, o vapor que sobe das estradas pela manhã é mais denso do que eu. Ontem ouvi uma voz no gravador, era consistente, maciça, pareceu-me que a podia tactear, trazia algo de medular do corpo que habitava. E no entanto, era apenas um fio que ascendia, fumo espesso e quente de um cigarro que se encaracolava em direcção da janela. Na face que conheço há um traço que me sossega, uma âncora junto ao precipício, a voz, quando aparece assim, é um fósforo que se acende numa parede.
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