O silêncio no fim-de-semana de manhã é por vezes de tal ordem, que vou directo da cama à janela. A rua deserta dá-me a sensação de ser a última pessoa no mundo, como se tivesse ficado esquecido depois de uma festa. Se me desviar do sentimento piedoso por mim próprio, que me deixa face a uma parede com uma janela nas minhas costas, talvez consiga ver alguma coisa. O primeiro impulso é procurar alguém que com a sua presença me desminta o que sinto. Mas desconfio do instintivo, e o que me ia confortar na figura do outro ia também fazer desaparecer o assombro de estar só. Certo é que estamos sozinhos juntos. Deste modo o outro surge-me do lado de lá de um desfiladeiro. Sem a mão paternal que nos leva aos dois a passear, revisito a sensação que tive, e vejo agora que quem tinha desaparecido era eu.
Erwin Wurm, One Minute Sculpture - Astronomical Purpose.
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