Esguios como fumo, passam varados de inexistência, têm por vezes o encanto do desequilíbrio, de se aguentarem a custo, o que deixa pressentir um ritmo ganho numa luta desigual, pelo menos é o que aparentam, e isso é tão fugidio como o tempo que levam a dobrar a esquina. Quando me falam, abre-se uma cortina que contradiz quase sempre a impressão que tive. As vozes galgam o muro para dar a ver qualquer coisa mais antiga do que ele, uma saudação é um canto de melro que surge de um arbusto, depois, bastam três ou quatro frases para sermos da mesma espécie, mas normalmente é o desgosto e a preguiça o que se segue. A impaciência turva o acontecimento e o dia é estreito como o carreiro por onde passam, desaparecem vaporosos pela outra porta, sem nenhuma intuição que nos aproxime. Seja como for, sou um mercador, e eles passeiam-se entre os livros como num museu, cheios de espanto e de bocejos, posso apenas roubar uma cereja como um pardal.
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