Há tanto tempo que circundo as estremas de uma ilusão, que sou apenas um rodar sem fim. Ando às voltas no meu bairro com algumas palavras em círculo em torno a mim. Sem grandes dotes de navegação, não me afundo de repente numa conversa de café, sento-me na mesma cadeira de ontem e deixo que o rumor da mesa ao lado seja apenas o rumor da mesa ao lado, se uma frase me chama a atenção, dou-lhe o tempo que tiver, senão, fico quieto na distância onde me guardo do que acontece. Hoje saí da febre de ontem como quem sai da felicidade de estar preso e não ter nada para escolher. Foi como sair de um quarto que o hábito não consegui-o domesticar. Em tempos as descrições pareciam-me um entediante ofício de notário, agora, na ressaca da repetição, procuro pôr uma palavra depois da outra, com a minúcia que me for possível, até esse quarto ter uma aresta onde me agarrar.

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